terça-feira, 15 de julho de 2008

A foto


Ela já chegou gritando. Era isso, era aquilo, que eu sou foda, um canalha, um cara sem moral - mulher louca. É claro que eu gritei mais alto, vou deixar mulher mandar em mim? De jeito nenhum. Foi aí que eu me fudi de vez. Aí que a mulher ficou brava mesmo, também sou babaca, babaca é pouco, um grande babaca, mas também chegar gritando e xingando é difícil de agüentar. Mulher mais mal educada.
Tô andando na Praça da Sé, comecei a andar para esclarecer as idéias, andei o centro todo, encontrei uns amigos, tomei umas cervejas, nem falei dela, mas um filadaputa me perguntou, tem cara que só leva a gente pra baixo, e pior, o cara disse que viu ela e um tal de Carlos, juntos, os dois rindo, juntinhos, mãos dadas, beijinho, deve até estar chamando de “meu amor”. E eu sofrendo, mas também tem cara que só põe a gente pra baixo, ave negra, ainda tive de pagar a cerveja pela informação, é um grande amigo.

Foi na Praça da Sé que a gente se conheceu. Morena bonita e formosa, gostosa mesmo, cheguei junto e a conquistei, na verdade fui conquistado. É, mas quem conquistou quem não interessa, o importante é que ela é gostosa. Imagina! Imaginou? Multiplica por dois, é uma beleza. Ela tava lá no bar do Zé, um baiano gente fina, decotão, calça apertada, dançado, a negada tudo babando, com ela tinha uma menina, nem lembro o nome, era as duas dançado, só fermentando pensamento na cabeça dos cara. Aí eu e um amigo pegamo cada uma pra dança, e foi a noite toda juntinho. Eu o só no psicológico e a morena rindo, aquela boca linda. Perguntei, e aí vamo, ela riu, aí fomos.

O problema foi a Aninha, lourinha linda, dá até arrepio, fiquei com ela, a mulher toma conhecimento e já chega gritando. Se descobrir quem contou eu mato, dedudurismo com a minha pessoa? Eu que só cuido da minha vida, se eu descubro...

Devo ter vindo para cá pela lembrança, lembrança e saudade. Ontem à noite foi duro, quem disse que eu conseguia dormir, era a noite inteira olhando para foto e o telefone no papel. Foto e telefone, foto e telefone, telefone e foto, foto e foto, telefone e telefone, foto e telefone, aí rasguei o telefone, joguei no lixo, de manhã, pequei o lixo, levei pra fora que era dia de lixeiro e deixei lá, fui pro ponto de ônibus, esperei na fila, deu dez minutos e eu lá me remoendo, não agüentei e voltei pra pegar o lixo e colar o papel do telefone. Agora só restou a foto na carteira e a vontade de ligar. Lixeiro filadaputa.

Porra! Vacilei!

Cadê a carteira? To ferrado! Também, ficar no mundo dos sonhos bem na Praça da Sé é coisa de otário, o lugar é cheio de trombadinha. Na carteira tava a foto e o pagamento do mês, isso que dá sair do trabalho em dia de pagamento e ficar andando pelo centro com a grana. Mas até que eu paguei barato para esquecer dela.

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